Paraná

Estado aciona União para reforçar propriedade e atualizar licitação no Parque Nacional do Iguaçu


O Governo do Estado encaminhou nesta terça-feira (3) ofícios ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) propondo uma solução para garantir segurança jurídica à licitação do Passeio do Macuco, no Parque Nacional do Iguaçu, publicada pelo ICMBio. O ponto-chave é que o Estado é o proprietário da área e não liberou a Concessão de Direito Real de Uso.

Em fevereiro de 2025, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) reconheceu por unanimidade a validade do registro imobiliário do Estado e rejeitou ação movida pela União que buscava cancelar a matrícula. A infraestrutura vinculada ao Passeio do Macuco – incluindo trilhas, acessos terrestres e estruturas de embarque – está dentro dessa área, conhecida como Saltos de Santa Maria, registrada em nome do Estado do Paraná em matrícula no Registro de Imóveis de Foz do Iguaçu.

Para evitar a judicialização, a proposta apresentada pelo Paraná prevê a formalização da Concessão de Direito Real de Uso e anuência da administração estadual, instrumentos autorizados pela legislação. Segundo o Estado, a medida permitiria a continuidade do processo licitatório com maior segurança jurídica para os investidores e para o futuro contrato de concessão, que deve girar em torno de R$ 85,3 milhões.

“A proposta busca compatibilizar dois interesses públicos igualmente relevantes: a observância da decisão judicial que reconheceu a propriedade estadual da área e a continuidade dos investimentos e da atividade turística no Parque Nacional do Iguaçu. É uma solução construída com espírito de cooperação e responsabilidade institucional”, defendeu o procurador-geral do Estado, Luciano Borges.

O Estado sustenta que a manutenção do certame licitatório nos moldes atualmente propostos desrespeita a propriedade estadual. A ausência de ajuste bilateral prévio e a omissão na outorga da cessão onerosa podem levar à nulidade do processo. O documento também solicita a abertura imediata de tratativas entre Estado, União, ICMBio e Advocacia-Geral da União para regularizar previamente o uso da área onde estão localizadas as estruturas do passeio.

COOPERAÇÃO – O Paraná mantém disposição para construir soluções conjuntas com o governo federal sobre a titularidade da área. Após a decisão favorável do TRF-4, o Estado buscou uma solução consensual por meio de audiências de conciliação, mas as tratativas não avançaram.

A proposta apresentada neste momento não impede a construção de modelos mais amplos de cooperação entre Estado e União no futuro, incluindo iniciativas de gestão compartilhada, fortalecimento da conservação ambiental, pesquisas científicas e ações integradas de segurança pública.

O Estado mantém atuação permanente na proteção ambiental da região do Parque Nacional do Iguaçu. A Polícia Militar Ambiental possui base fixa na área há 54 anos e realiza patrulhamento terrestre, fluvial e aéreo, além de operações conjuntas com órgãos ambientais.

HISTÓRICO – A área conhecida como Saltos de Santa Maria possui aproximadamente 1.085 hectares, o equivalente a cerca de 1.520 campos de futebol. Nela estão localizados o trecho brasileiro das Cataratas do Iguaçu e o Hotel das Cataratas.

A disputa judicial teve início em 2018, quando a União ingressou com ação para cancelar a matrícula da área, alegando tratar-se de terra devoluta federal. O Estado demonstrou, no entanto, que o imóvel foi originalmente concedido pelo então Ministério da Guerra a um particular em 1910 e adquirido pelo Paraná em 1919, com escritura regularmente registrada.

Em fevereiro de 2025, o TRF-4 acolheu os argumentos apresentados pela Procuradoria-Geral do Estado e reconheceu a validade do registro imobiliário estadual, decisão que segue vigente.

Agência de Notícias do Paraná

Agência Estadual de Notícias do Estado Paraná

Leia também

Botão Voltar ao topo

Ops! Parece que você está usando um bloqueador de anúncios.

Nosso site depende de anúncios para fornecer conteúdo gratuito e manter nossas operações. Ao desativar seu bloqueador de anúncios, você nos ajuda e garante que possamos continuar oferecendo conteúdo valioso sem nenhum custo para você.

Agradecemos sua compreensão e apoio. Obrigado por considerar desativar seu bloqueador de anúncios para este site.