Paraná

Prova Paraná amplia avaliações diferenciadas e reforça inclusão na rede pública


Mais de 113 mil estudantes da Educação Especial da rede estadual de ensino fazem a Prova Paraná com adaptações específicas, nos dias 19 e 20 de maio, em uma avaliação que mobiliza cerca de 1,1 milhão de alunos em todo o Estado. A avaliação mantém o mesmo conteúdo para todos, mas adapta a forma de aplicação conforme o perfil do estudante, com mudanças no formato, tempo adicional, apoio profissional e uso de recursos específicos.

Conforme dados da Secretaria Estadual da Educação (Seed-PR), nesta edição, 1.773 estudantes dos ensinos fundamental e médio realizam a avaliação com recursos especializados: 57 alunos cegos fazem a prova em Braille; 1.692 com baixa visão recebem versões ampliadas ou superampliadas, com ajustes de contraste e organização visual; e 24 estudantes com Síndrome de Irlen contam com adaptações de cor e luminosidade, incluindo o uso de lâminas coloridas. Estudantes surdos têm acesso a vídeos com tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Outros 28 mil estudantes realizam a avaliação com tempo adicional, apoio profissional, aplicação em ambiente específico, transcrição de respostas e leitura assistida. As adaptações atendem diferentes perfis de aprendizagem, incluindo estudantes com deficiências, transtornos do neurodesenvolvimento, transtornos funcionais específicos e altas habilidades ou superdotação.

De acorfo com o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, as adaptações permitem um acompanhamento mais preciso da aprendizagem. “Garantimos que alunos com deficiência e outras necessidades específicas participem com equidade e tenham seu aprendizado efetivamente acompanhado”, afirma.

PERFIL DA EDUCAÇÃO ESPECIAL – A rede estadual soma atualmente 113.861 estudantes da educação especial, 12,5% do total. A maior parte das matrículas está concentrada em transtornos funcionais específicos (71.287), como dislexia e TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade), além de estudantes com transtorno do espectro autista – TEA (17.441) e deficiência intelectual (17.351).

Outros grupos incluem deficiências visuais – com 2.433 estudantes com baixa visão e 172 com cegueira; deficiências físicas (1.872) e deficiências auditivas (1.109), além de surdez (668). Há ainda registros de deficiência múltipla (779), atraso no desenvolvimento neuropsicomotor (718), surdocegueira (31) e visão monocular (11).

O crescimento da educação especial acompanha a ampliação das adaptações. O número de estudantes atendidos passou de 71,5 mil em 2021 para mais de 113 mil em 2026, aumento de quase 63%.

De acordo com a coordenadora pedagógica de Educação Especial da Seed-PR, Cláudia Saldanha, os critérios técnicos consideram acessibilidade e equidade. “A prova é padronizada quanto ao conteúdo e aos objetivos. O diferencial está na oferta de recursos e apoios necessários para assegurar condições adequadas de participação dos estudantes da Educação Especial”, explica.

BASTIDORES DAS ADAPTAÇÕES – As versões acessíveis da Prova Paraná levam de 40 a 60 dias para serem produzidas e envolvem equipes técnicas da Seed-PR, além dos Centros de Apoio Pedagógico (CAP) e Centros de Apoio ao Surdo (CAS) em todo o Estado.

A partir da prova original, cada questão é adaptada conforme o público: há transcrição em Braille, arquivos digitais para leitores de tela, versões ampliadas e superampliadas e tradução para Libras em vídeo. Todo o material passa por revisão técnica e validação pedagógica antes da aplicação.

Para estudantes com TEA e deficiência intelectual, a adaptação vai além do formato. Inclui preparação prévia, explicação da rotina, tempo ampliado, mediação de professor especializado, apoio com leitor ou transcritor e aplicação em ambientes mais controlados, garantindo participação com acessibilidade.

PROVA PARANÁ – Criada em 2019, a Prova Paraná passou de avaliações focadas em Língua Portuguesa e Matemática para um modelo mais amplo, integrado ao Sistema de Avaliação da Educação Básica do Paraná (Saep). Atualmente, inclui conteúdos da formação geral básica e dos itinerários formativos do Novo Ensino Médio.

Aplicada às redes estadual e dos municípios que aderem ao sistema, a avaliação orienta o acompanhamento contínuo da aprendizagem e subsidia decisões pedagógicas ao longo do ano letivo. Desde as primeiras edições, estudantes da Educação Especial participam da avaliação, com ampliação progressiva dos recursos de acessibilidade.

Agência de Notícias do Paraná

Agência Estadual de Notícias do Estado Paraná

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