Desafios e oportunidades para a sustentabilidade no Paraguai: uma visão da Aliança pelas Florestas Tropicais

Assunção, Agência IP.- Durante entrevista ao programa Tribuna da TV Paraguai, o Dr. Víctor Vera, coordenador da plataforma internacional Tropical Forest Alliance (TFA) no Paraguai, apresentou sua visão sobre os desafios e oportunidades que nosso país enfrenta em termos de sustentabilidade e desenvolvimento responsável.
O TFA é uma iniciativa global que promove ações coletivas para reduzir o desmatamento e promover práticas agrícolas e pecuárias sustentáveis. Durante a entrevista, Vera compartilhou sua visão sobre como o país pode caminhar em direção a um modelo mais equilibrado, que combine produtividade com conservação ambiental.
TFA: uma abordagem coletiva para a sustentabilidade
A Tropical Forest Alliance (TFA) é uma rede internacional que foi lançada no Fórum Económico Mundial, com a missão de promover o diálogo entre setores-chave, como governos, empresas e sociedade civil, para promover um desenvolvimento económico que não destrua os ecossistemas.
Como explicou Vera, o TFA funciona não como entidade executora de projetos, mas como plataforma de diálogo e ação coletiva. «Não somos uma instituição que promove projetos, mas somos instituições que promovem a conversa, o diálogo e a procura conjunta de soluções. Sabemos que nunca vamos concordar 100%, mas vamos concordar no máximo que pudermos concordar para caminharmos em direção à sustentabilidade”, disse Vera.
No que diz respeito à sua intervenção no Paraguai, a TFA tem atuado não apenas no Chaco, mas também em outras regiões críticas da América Latina, como a Amazônia e o Cerrado brasileiro. “Estamos naqueles lugares onde a ação humana é necessária para promover a conservação das florestas e gerar um desenvolvimento sustentável”, disse Vera.
O desafio da sustentabilidade na produção
Vera reconheceu que a transição para práticas mais sustentáveis na agricultura e pecuária enfrenta vários desafios, especialmente no contexto de uma economia que historicamente depende da expansão das fronteiras agrícolas.
“Somos instituições que promovem a conversação, o diálogo e a busca conjunta de soluções”.
«Os obstáculos em primeiro lugar são as políticas públicas que promovem a mudança no uso do solo, a falta de incentivos, a transparência, a corrupção e a falta de mercado. “Temos que trabalhar em condições que nos permitam gerar incentivos para a conservação florestal e melhorar o nosso sistema de produção”, afirmou o especialista.
No entanto, enfatizou que o solo deve ser considerado não apenas como um meio de produção, mas como um sistema ecológico que, se degradado, afetará negativamente tanto a produtividade como o bem-estar das gerações futuras. “Nas condições locais temos que favorecer o nosso sistema produtivo, temos que amar mais o nosso solo como ecossistema e não apenas como substrato produtivo”, explicou Vera.
A importância do Chaco na conservação global
Uma das áreas mais críticas para conservação no Paraguai é o Chaco, um ecossistema que abriga rica biodiversidade, mas está sendo ameaçado pela expansão da fronteira agrícola e pecuária. Nesse sentido, Vera mencionou que o Chaco é uma das regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas, com temperaturas extremas e fenômenos como a salinização do solo, que colocam em risco sua capacidade de ser produtivo no futuro.
«Os picos de calor no verão são bastante importantes. “Então as pessoas e comunidades vulneráveis sofrem, pois todos os meses vemos os camiões a transportar água, e a produção também sofre”.
«Temos processos naturais de salinização, temos processos que, com a alteração do uso do solo, estão a agravar-se. Por exemplo, os ventos. E temos que dizer que o pólo térmico superior da América do Sul está neste exato momento do outro lado do rio, na região de Corumbá, no Brasil”, comentou.
«Os picos de calor no verão são bastante importantes. Assim, as pessoas e comunidades vulneráveis sofrem, pois todos os meses vemos os camiões a transportar água, e a produção também sofre. O gado está deixando de comer para ficar na sombra, porque faz muito calor. Temos que buscar formas de, além de favorecer o solo, a água, a biodiversidade, colocar mais árvores. “Os sistemas silvipastoris são chamados assim, para que a produção não seja afetada por estes picos de calor que estamos a viver”, acrescentou.
Casos de sucesso de integração entre produção e conservação
Apesar dos desafios, Vera também destacou que existem exemplos de sucesso na América Latina que poderiam servir de modelo para o Paraguai. Na Colômbia, por exemplo, a lei proíbe a transformação de florestas em terras agrícolas, e no Brasil é implementado o programa PSI (Produzir, Conservar, Integrar), que promove a pecuária sustentável e a integração das comunidades indígenas na gestão do território . Este programa procura gerar benefícios económicos e ecológicos para os produtores, promovendo práticas que respeitem os limites do ambiente. Vera indicou que o caso do Brasil é especialmente relevante para o Paraguai.
À medida que o Paraguai procura posicionar-se como líder em sustentabilidade na região, a chave será construir alianças estratégicas entre o governo, empresas, comunidades indígenas e produtores privados. Com uma abordagem colaborativa e políticas públicas adequadas, o Paraguai tem a oportunidade de proteger a sua inestimável biodiversidade, ao mesmo tempo que impulsiona o crescimento económico sustentável.



