Joia de Palmas: paranaense de 13 anos disputará Roland Garros e Wimbledon em 2026

Aos 13 anos, a paranaense Eduarda Gomes (Duda), de Palmas, no Sudoeste, se prepara para viver um momento raro até mesmo entre atletas mais experientes. Considerada uma das novas promessas do tênis brasileiro, a jovem conquistou vaga em dois dos principais torneios juvenis do mundo e disputará o Roland Garros Juvenil e o Wimbledon Junior em 2026. Os resultados colocaram a atleta do Paraná em evidência internacional e entre as principais esperanças da nova geração.
O Roland Garros Juvenil começa no fim de maio, em Paris, capital da França, e marcará o início de uma sequência intensa fora do país para a jovem paranaense. Ela se classificou após vencer o Roland Garros Junior Series, que aconteceu em São Paulo em abril, tornando-se a campeã mais nova da história do torneio. Depois disso ela chegou a aparecer com destaque até nas redes sociais da competição.
Na sequência, Eduarda seguirá para Londres, capital da Inglaterra, onde disputará Wimbledon no início de julho. Como os dois Grand Slams ocorrem em datas próximas, a atleta permanecerá aproximadamente um mês na Europa. A família já trabalha na logística da viagem, preparação esportiva e custos da temporada internacional.
As competições que Duda vai disputar são duas das mais importantes do tênis mundial. Junto do Australian Open e do US Open, os torneios integram o grupo dos quatro Grand Slams, competições mais tradicionais e valiosas do circuito, que reúnem os principais atletas da modalidade.
TRAJETÓRIA – A trajetória até chegar ao circuito internacional começou longe dos grandes centros do tênis. Em Palmas, Eduarda iniciou a relação com o esporte aos sete anos, em treinos semanais motivados pelo ambiente familiar. Tio, avô e mãe já jogavam tênis. Com o passar dos anos, a prática deixou de ser recreativa e passou a ganhar contornos competitivos. “Eu comecei com uns sete anos. Era uma vez por semana, uma horinha. Depois comecei a jogar torneio e fui aumentando os treinos”, conta.
Os primeiros passos foram em torneios estaduais. O início, porém, esteve distante de uma sequência de vitórias. Eduarda lembra que, nas primeiras competições, as metas eram pequenas. Primeiro conquistar um game, depois um set, até a evolução aparecer gradualmente. A partir dali vieram resultados no Paraná, torneios nacionais e, mais tarde, competições sul-americanas e internacionais.
Hoje, a rotina exige uma dedicação muito diferente daquela do início. O pai e treinador, Sullevan Alves Bueno, explica que viver em uma cidade menor obrigou a família a construir um caminho baseado em viagens constantes para buscar adversários e torneios mais fortes. Segundo ele, a temporada passada teve entre 35 e 40 semanas na estrada. A preparação inclui deslocamentos antecipados, treinos em outras cidades e uma agenda que mistura competições estaduais, nacionais, sul-americanas e internacionais.
“Foi uma surpresa. A nossa expectativa maior era vencer a Copa Cosat que é para atletas de até 14 anos. O Roland Garros Junior Series, que vai até 17 anos, não era algo que a gente esperava que ela pudesse ganhar nesse ano pelo menos. Então foi uma grata surpresa que apareceu para nós”, afirma Sullevan.
A rotina intensa também alterou a vida fora das quadras. Eduarda adaptou os estudos à agenda de treinos e viagens, enquanto os momentos livres diminuíram. O foco agora está voltado ao maior desafio da carreira até aqui. Em Paris, a jovem paranaense terá contato direto com o ambiente de um Grand Slam e dividirá espaço com alguns dos principais nomes do tênis mundial.
Entre as maiores inspirações da jovem paranaense Duda, o espanhol Carlos Alcaraz é o principal. O tenista, que gosta de jogar no saibro, é um dos principais nomes do tênis mundial na atualidade e campeão de Grand Slams como Wimbledon e Roland Garros. A admiração começou ainda nos primeiros anos acompanhando partidas pela televisão. “A primeira vez que eu vi ele jogar foi contra o Nadal. Ele ganhou e eu comecei a gostar dele ali”, conta.
DUDA EM ALTA – Para quem acompanha o circuito de formação, a classificação precoce de Duda não é vista como um caso isolado. A avaliação é do treinador Roland Santos, profissional com cinco décadas de atuação no tênis e que trabalhou com atletas de destaque nacional e internacional.
Ao longo da carreira, Roland treinou nomes como André Sá, ex-top 50 do ranking mundial e um dos principais tenistas brasileiros de sua geração, Marcos Daniel, que alcançou o top 60 da ATP e representou o país em grandes torneios do circuito internacional, além de Gabriel Sidney e Natália Gasparin, atletas com trajetória no cenário profissional e de formação.
Segundo Roland, o Brasil vive uma das fases mais promissoras do tênis de base dos últimos anos, com atletas que começam a competir em alto nível desde cedo e ganham espaço em torneios internacionais. “O Brasil vive uma das melhores fases do infantil e juvenil. Está vindo uma base muito forte. Além da Duda, que é o do Paraná, temos outros exemplos nacionais como a Naná [Nauhany Silva], a Victória Barros e outros atletas chegando. É animador ver que o Brasil vai colher frutos muito bons daqui para frente”, afirmou.
Roland também destaca que o Paraná se consolidou como uma das federações mais estruturadas do País no desenvolvimento de jovens atletas, cenário que ajuda a fortalecer a modalidade e ampliar o surgimento de novos talentos. Segundo ele, a Federação Paranaense organiza um calendário amplo de competições e ações voltadas ao desenvolvimento das categorias de base, além de promover torneios em diferentes regiões do Estado e encontros entre os principais atletas. Esse ambiente cria condições para acelerar a evolução técnica dos jovens jogadores.
Na avaliação do treinador, esse processo também ajuda a explicar o surgimento de novos nomes no cenário nacional e internacional e fortalece o Estado como um dos principais polos brasileiros de formação no tênis juvenil.
“Com essa organização toda, o Paraná realmente vai sempre ter uma equipe muito forte. A Federação Paranaense fomenta o tênis infantojuvenil com torneios em todo o Estado, reúne os melhores atletas e cria um ambiente que ajuda no desenvolvimento. Dá para perceber que o Paraná se tornou um celeiro muito forte para formar atletas”, afirma.
Foto: Secom
NOVA GERAÇÃO PARANAENSE – No ano passado, outros dois jovens tenistas paranaenses disputaram os torneios juvenis de Grand Slams: Flávia Cherobim, agora com 14 anos e natural de Curitiba, disputou o Wimbledon; João Bonini, atualmente com 18 anos e de Londrina, competiu em Roland Garros, Wimbledon e US Open.
Flávia Cherobim foi a primeira tenista brasileira a disputar o Wimbledon. Assim como a Duda, ela venceu o Cosat, principal torneio sul americano que dá direito a competição do Grand Slam inglês. Na competição europeia, perdeu para a campeã na primeira fase.
Ao longo do processo, Flávia foi bolsista do Programa Geração Olímpica e Paralímpica (GOP), do Governo do Estado, maior programa de bolsas-atletas do Brasil. O principal objetivo da ação é fomentar o esporte olímpico e paralímpico no Paraná com bolsas de auxílio.
Já João Bonini, além de competir em três Grand Slams, conquistou o ouro inédito no Pan-Americano Junior, disputado em Assunção, no Paraguai. O título garantiu também ao paranaense uma vaga na chave profissional dos Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2027.
As conquistas de Bonini têm apoio de dois benefícios do Governo do Paraná, via Secretaria de Estado do Esporte (SEES), o Geração Olímpica e Paralímpica e o Programa Estadual de Fomento e Incentivo ao Esporte (Proesporte), que garante financiamento por meio de incentivo fiscal.
GRAND SLAMS – As quadras de saibro de Paris e os gramados ingleses já serviram de caminho para nomes que hoje ocupam o centro das atenções do esporte. Um dos exemplos mais recentes é o de João Fonseca, principal nome da nova geração do tênis masculino brasileiro. O carioca conquistou o título juvenil do US Open em 2023, que o deixou em primeiro lugar no ranking mundial juvenil após a conquista do Grand Slam. Aos 17 anos, foi o primeiro brasileiro da história a terminar a temporada como número 1 do ranking de juniores.
Atualmente, Fonseca tem 19 anos e segue carreira profissional em rápida ascensão no circuito mundial. Em fevereiro de 2025, aos 18 anos, conquistou o ATP 250 de Buenos Aires e se tornou o brasileiro mais jovem da história a vencer um título de ATP Tour, além de entrar para a lista dos sete campeões mais jovens do mundo na categoria. Meses depois, conquistou o ATP 500 de Basel, na Suíça, e se tornou o primeiro brasileiro campeão de um torneio deste nível.
A sequência de resultados consolidou Fonseca como principal nome da nova geração do tênis brasileiro e exemplo recente de um caminho que começou justamente nos torneios juvenis de Grand Slam.
No feminino, a principal referência brasileira é Beatriz Haddad Maia. Conhecida como Bia Haddad, disputou torneios juvenis de Grand Slam antes de construir a carreira profissional e se transformou na principal representante do país na modalidade. Em 2023, já no profissional, alcançou a semifinal de Roland Garros e se tornou a primeira brasileira em mais de cinco décadas a chegar tão longe em um Grand Slam.
Graças aos resultados nas principais competições, Bia entrou no top 10 do ranking mundial feminino tanto em simples quanto em duplas. Em simples, tornou-se a primeira brasileira a alcançar a marca na Era Aberta – fase moderna do tênis iniciada em 1968, quando atletas profissionais passaram a disputar os principais torneios do circuito. Nas duplas, aproximou-se dos feitos históricos de Maria Esther Bueno, maior nome do tênis brasileiro, que dominou o cenário internacional antes da criação do ranking oficial feminino.
Além do prestígio, os Grand Slams possuem peso máximo no sistema de pontuação do tênis. No circuito juvenil, resultados em Roland Garros e Wimbledon distribuem alguns dos maiores volumes de pontos do calendário da Federação Internacional de Tênis, fator que influencia diretamente a posição dos atletas no ranking e abre caminho para competições ainda maiores no futuro.



